

Marla Gadelha,
que este ano de 2006 completa 48 anos de nascimento, é professora de Educação Física desde o início dos anos oitenta, tendo trabalhado fundamentalmente em escolas públicas do município de Cotia, distante 30km da capital paulista. No dia 13 de setembro de 2001 saiu de casa como de hábito, deixou seus filhos na escola, foi para a casa de seus pais onde costumava deixar o carro, indo trabalhar de ônibus, só que neste dia não chegou ao destino.
Como não houve movimentação em suas contas bancárias e também nenhum pedido de resgate, descartou-se a hipótese de seqüestro. Apesar da Marla sempre ter gozado de boas condições de saúde, temos colocado nossa esperança na hipótese dela estar vagando desmemoriada pelas ruas, vitimada talvez por algum tipo de trauma (uma queda, um assalto, etc.); ou estar internada em algum hospital de nosso imenso Brasil.
Suas principais características são: morena clara, olhos e cabelos castanhos, cabelos lisos, 1,60m, peso aproximado de 55 quilos e uma pequena verruga na lateral esquerda do nariz.
Pedimos a todos que a reconhecerem ou tiverem qualquer informação comunicar a família pelo telefone (11) 3334-1324, disponibilizado pelo Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência – CEDIPOD, ou a Delegacia de Pessoas Desaparecidas de São Paulo. Solicitamos também que divulguem na rede. Quanto mais pessoas souberem do caso maiores serão as chances de encontrá-la. http://www.aibr.com.br/marla.htm
São Paulo, agosto de 2006.
Kika Gadelha e Elza Ambrósio, irmãs da Marla.
kdmarlagadelha@yahoo.com.br
Abaixo matéria publicada pela Gazeta do Planalto e Região, Ano IX – Número 107 – Setembro de 2006, por ocasião do 48º aniversário de nascimento da Marla.
“FELIZ ANIVERSÁRIO, MARLA!!”
(carta de Kika para Marla)
Leitor amigo, quantos anos você tem? Estarão longe seus anos de meninice, seus anos de sonhos largos e desejo sincero de reformar o mundo? O que você comemora hoje? Por acaso é seu aniversário de nascimento? Não importa, comemoremos hoje todos os nossos aniversários e todos os nossos sucessos. Concordo com o coelho da Alice, estejamos ou não no país das Maravilhas, devemos comemorar todos os dias os nossos desaniversários. Meu amigo, minha amiga, desejo a você muitas felicidades e muitos anos de vida. Desejo sinceramente que neste e em cada outro dia tão feliz você esteja rodeado por pessoas queridas, que amam e são amadas.
Vamos comemorar tudo de bom que nos acontece na vida.
Ao nascermos, adentramos o mundo das realizações: nosso primeiro sorriso, nossa primeira mamada, nosso corpinho respondendo à maturidade dos primeiros meses — pegar, sentar, levantar, engatinhar, andar, correr —, nossas primeiras palavras faladas e escritas... Você se lembra, por acaso, do primeiro dia de aula? Cadê a mamãe, cadê aquele sorriso acolhedor e estimulante? Que tipo de criança você foi? Peralta, quietinha, encabulada, extrovertida, puxa-saco?
No que você se destacou entre seus 13 e 17 anos?
Conheço uma pessoa linda que já nesta idade era uma atleta. Ah, não estou falando de nenhum destaque do atletismo nacional, não estou falando de ninguém que a mídia tenha tido o privilégio de salientar a destreza. Não. Estou falando de uma colegial comum dos anos de 1970, uma estudante de escola pública, que tinha liderança nos jogos coletivos e compôs com sua equipe o prestígio esportivo da sua Escola Estadual, se o âmbito fosse restrito, e do município, se o âmbito da competição fosse mais abrangente. Uma líder nata nos jogos recreativos fossem eles esportivos ou não.
E, além disso, é preciso dizer, de uma beleza brasileiríssima. Apesar da mistura das raças, seus traços lembram os dos donos destas paragens, antes destas terras virarem Brasil: morena de ombros largos e pernas bem torneadas, rosto redondo, maçãs salientes e cabelos castanhos lisos — aquele tipo escorrido que a franja cobre os olhos—, olhos também castanhos, lábios carnudos com sorriso constante e perfeito, nariz batatinha, enfeitado por uma verruguinha bem no cantinho esquerdo. Nem alta e nem baixa, com uns sessenta centímetros que ultrapassam o metro. Daquele tipo de morena que o rapaz boquiaberto dá com a cara num poste por não poder deixar de olhar, enquanto a morena e suas não menos belas amigas quase molham as calças de tanto rir.
Leitor amigo, você teve a oportunidade de fazer uma faculdade, de vestir uma beca, receber o simbólico tubinho aveludado e depois quase se matar de tanto dançar e beber na festa de formatura? Quero fazer um brinde a todos nós que pudemos realizar também este sonho; mas brindo também todos aqueles que ou não puderam ou não quiseram fazer o terceiro grau. Saibam todos que a sabedoria não vem da formação escolar, mas da formação da vida. Um brinde à vida! Um brinde a todos os seres especiais, do bisavô ao jardineiro, do professor ao religioso, do amigo real ao imaginário que ajudaram a nossa empreitada de sermos humanos no seu mais humanista significado. Levanto minha taça novamente aos meus, aos nossos e a todos os professores tão corajosos e tão idealistas. O dia dos professores está próximo, porém felicito-os agora e todos os dias de minha vida.
E a bela morena, nossa atleta dos anos setenta? Que terá feito ela de sua vocação? Precocemente decidiu-se pela Educação Física. Como a vida é bela! A semente vira flor e a flor vira semente. A estudante virou professora, colocando em prática todo o seu pendor para os jogos recreativos. E, vejam, eu estou falando de comemorar não “apenas” porque esta morena, a minha Maninha, faz aniversário no dia 5 de setembro próximo (nascida que foi no ano de 1958), mas porque, principalmente, ela soube como ninguém fazer de cada data comemorativa um grande evento, uma grande festa. Dissesse você a ela hoje que amanhã há de se comemorar qualquer coisa e da noite para o dia ela inventava a decoração com material reciclado, montava gincanas as mais diversas, colocava todo mundo para dançar, inventava uns jogos divertidos e não havia um só que não se contaminasse com sua alegria e disposição.
Você já se apaixonou por alguém? Comemorou também aniversários de namoro — um dia, um mês, um ano... — e, depois, planejou vidas em comum? Um brinde ao amor! Um brinde ao amor que acasala; ao amor fraternal; ao amor maternal e paternal; ao amor ao próximo e distante; ao amor a todos os seres.
Parabéns, Maninha, por tudo de bom que você representa: a irmã-mãezinha, a filha exemplar, a estudante-atleta motivada, a professora dedicada, a esposa e mãe companheira e amorosa.
Leitor amigo, eu queria tê-lo aqui, perto de mim, para brindar este aniversário tão especial. Você veria o quanto somos parecidos à minha irmã, em nossos sonhos e realizações, enfim, que temos praticamente os mesmos motivos para comemorar, rir e chorar. Rir pela dádiva da vida e chorar... Chorar porque há um outro aniversário, este doloroso, por isso me fiz contente estando descontente. Que me permita nosso poetinha Vinicius me apropriar de suas belas letras para expressar um “de repente” tão “de repente”, mas tão “de repente”, que muitos nem podem acreditar, e, assim, de fato, “do riso faz-se o pranto”, nem tão silencioso, e a vida se faz parecer uma “aventura errante”.
Não me refiro ao oposto da vida, porque mesmo o óbito ainda é uma dádiva de Deus, principalmente se vier envolto pelas bênçãos dos anos amadurecidos pelo tempo. Estou mesmo falando de um “de repente, não mais que de repente”, de um dia que começa e não tem fim, de alguém que sai para trabalhar e não retorna para o lar, de alguém que sai de casa como cidadã — representando os papéis de filha, mãe, professora — e passa a ser uma estatística como pessoa desaparecida — um número queixa (12512/2001) na Delegacia de Pessoas Desaparecidas.
Aquela morena, estudante-atleta, professora dedicada, filha, irmã, esposa e mãe amorosa, que comemora no próximo dia 5 de setembro 48 anos de vida, está desaparecida há cinco anos, desde o dia 13 de setembro de 2001.
Leitor amigo, quero novamente levantar um brinde à vida.
Maninha, onde você estiver: FELIZ ANIVERSÁRIO.*
* Eu sou Kika e minha Maninha é MARLA GADELHA, professora da rede pública estadual da cidade de Cotia (SP). Para mais informações e fotos acesse o site www.aibr.com.br/marla.htm; se o leitor quiser se comunicar com a família há o e-mail kdmarlagadelha@yahoo.com.br e o fone (11) 3334-1324, disponibilizado pelo Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência – CEDIPOD. Temos a esperança que a MARLA esteja internada em algum hospital, vitimada, talvez, por algum acidente. Por isso solicitamos a atenção dos profissionais ligados direta e indiretamente à área da saúde, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, e outras categorias profissionais atuantes no meio hospitalar. Leitor amigo, por favor, nos ajude em nossas buscas pela Marla, divulgando e reenviando nossa mensagem aos profissionais citados ou, quem sabe, você tenha para nós alguma outra sugestão. Agradecemos a atenção e a solidariedade.