As Lições de um Guru da Web
Fonte: Gazeta Mercantil - (out/99)

Simplicidade pode funcionar mais que recursos pirotécnicos e conteúdo deve ser objetivo e menos publicitário.

Um dos mais respeitados gurus do "web design" é o norte-americano Jakob Nielsen, autor de inúmeros estudos sobre usabilidade dos sites. O cerne de seus ensinamentos baseia-se numa premissa: cada recurso tem que ser exaustivamente analisado e só pode ser usado se for acrescentar algo à experiência do usuário, caso contrário apenas compromete seu tempo e sua paciência.

"Avaliar o que vai ser útil, o que é supérfluo ou não, é a única maneira de não se deixar seduzir pelo lado estético", diz o especialista, que tem se dedicado à análise dos mais variados sites existentes na Internet.

Nielsen mantém uma coluna sobre usabilidade no site www.useit.com. Seu artigo "Os 10 maiores erros no Web design", colocado no ar em maio de 1996, bateu recordes de leitura - teve mais de 400 mil consultas, e ainda hoje é visitado cerca de 17 mil vezes por mês. Em maio de 1999, ele atualizou o texto concluindo que todos os 10 erros de 1996 ainda são cometidos hoje, "mas infelizmente novas tecnologias e novas aplicações da Web criaram novos erros."

Fizemos um apanhado de seus conselhos e de observações de outros especialistas para chegar a sete pontos a serem considerados no design de um site:

1. Clareza na arquitetura da informação: É essencial que o usuário consiga discernir o que é prioritário e o que é secundário no site. Ou seja, antes de mais nada é preciso chegar a um bom arranjo da informação. "Não presuma que os usuários conheçam tanto sobre a sua empresa quanto você. Eles sempre terão dificuldades de achar o que estão procurando, então ajude-os dando-lhes um senso de estrutura da informação e lugar. Providencie um mapa do site e deixe os usuários saberem onde estão e onde podem ir."

2. Facilidade de navegação: O usuário tem que acessar a informação desejada no máximo em três cliques. "Conseguir organizar informação dentro disso já é um bom princípio", diz René de Paula Jr., que se surpreendeu recentemente com "o poder de síntese e a singeleza" do site da emissora de tevê inglesa Sky, que tem apenas três links na abertura. Nas palavras de Jakob Nielsen, é essencial que o usuário tenha claro aonde se encontra num determinado momento, aonde pode ir e para onde cada link vai levar.

3. Simplicidade: "Uma página na Web não deve estimular tanto quanto a Times Square de Nova York. Dê ao usuário paz e tranqüilidade para que ele possa ler o texto", afirma Nielsen. Ou seja, evite a pirotecnia, pois quem navega quer encontrar logo o objetivo da busca.

4. A relevância do conteúdo: Se nas revistas ou na televisão, por exemplo, a sedução passa muito pela beleza das imagens, na Web o conteúdo é o que mais importa para atrair e prender a atenção do usuário. "Quando se pede um feedback aos usuários, eles se referem à qualidade e à relevância do conteúdo", afirma um artigo de John Morkes e Jakob Nielsen. Um bom texto para essa mídia tem que ser o mais conciso e objetivo possível, não promocional ou publicitário, como impera hoje, com perda de credibilidade.

5. Manter a coerência: Nielsen diz que a coerência é um dos mais poderosos princípios da usabilidade. "Quando as coisas acontecem do mesmo jeito sempre, os usuários não têm que se preocupar a respeito do que irá acontecer. Ao contrário, eles sabem o que vai acontecer baseados numa experiência anterior, e isso é muito bom." Ele insiste no uso dos procedimentos standard. Um exemplo são as cores. Links para páginas que não foram vistas ainda pelo usuário são em azul; links a páginas já vistas são púrpura ou vermelho, e não há razão para inventar uma alteração nesse procedimento. Lay outs ambiciosos devem ser abandonados. As fontes a serem usadas devem ser as mais comuns, pois o designer não sabe as fontes que o usuário tem instaladas. As páginas devem ser concebidas para poderem ser vistas nas telas pequenas dos computadores portáteis.

6. O tempo suportável: O download das páginas deve ser necessariamente rápido. "Estudos indicam que 10 segundos é o máximo de tempo antes que as pessoas percam o interesse. Na Web, as pessoas foram treinadas para sofrer, então pode ser aceitável aumentar esse limite para 15 segundos em poucas páginas", afirma Nielsen.

7. Foco nos usuários: Todos esses procedimentos podem na verdade ser sintetizados num só: o foco deve estar nas necessidades dos usuários. Deixar-se embevecer pelas últimas tecnologias da web pode atrair uns poucos nerds, mas o público em geral vai estar interessado nos serviços que poderá obter. Como cada vez há um maior número de páginas na Web, a paciência das pessoas para agüentar maus tratos está baixando. E elas não vão ter pudor nenhum em mudar - afinal, há outros cinco milhões de sites para ir e não impede a livre navegação.